DivulgaçãoA qualidade da vida sexual é um termômetro de bem-estar, tanto que se tornou uma das medidas da qualidade de vida de uma pessoa, segundo a Organização Mundial de Saúde
|
|
Edição 2 > Cama
A vida é dura...
Aprovado há mais de dez anos para o tratamento da disfunção erétil, o Viagra surgiu como promessa de felicidade eterna na cama, marcando uma nova era na história do sexo e nos relacionamentos de milhares de homens
Patrícia Rodrigues
Se você já ouviu que a revolução causada pelo Viagra se compara à mesma da invenção dos anticoncepcionais, não duvide. Há uma década, o comprimido azul em forma de diamante (e todos os seus concorrentes) não só se tornou a esperança para levantar a "onda" como também mexeu com a cabeça de cima. Onipresente na mídia, o Viagra foi citado em entrevista à revista Veja (n° 2042, 09/01/2008) por John P. Mulhall, conceituado urologista norte-americano e coordenador do laboratório de pesquisas em medicina sexual da Weill Medical College of Cornell University. Ele explica que uma vida sexual regular e prazerosa, em termos quantitativos e qualitativos, traz uma série de benefícios à saúde mental, cardiovascular e até imunológica. E definiu em poucas palavras: "A qualidade da vida sexual é um termômetro de bem-estar, tanto que se tornou uma das medidas da qualidade de vida de uma pessoa, segundo a Organização Mundial de Saúde." Quem não quer?
Tão rápido quanto seu efeito, o Viagra saiu da boca do povo para entrar no imaginário coletivo e, com tanta cabeça pensando só naquilo, não demorou nada para que profissionais explicassem como ficaram a vida e os relacionamentos depois da descoberta. E o prazer foi mais longe, unindo-se ao da leitura: só para ter uma idéia, existem pelo menos dez livros ainda não lançados em Língua Portuguesa que trazem a palavra Viagra estampada no título, indo da literatura médica e terapêutica aos contos.
DIARY OF A VIAGRA FIEND (Pocket Books), de Jayson Gallaway, disponível no Brasil apenas em inglês, pode ser traduzido como "Diário de um Dependente de Viagra". Como fiend também pode significar algo satânico, já dá para imaginar as engraçadas confusões deste livro de humor em torno do sexo quando o próprio autor - de 29 anos, que se define viril e tem uma namorada de 19 - experimenta Viagra "para ver o que acontece", comendo-os como se fossem M&Ms. Já no primeiro capítulo, muitas risadas quando ele percebe os efeitos e começa a contar os minutos para sua estréia, sem chamar a atenção da namorada.
A jornalista Silvia Campolim, em O SEXO DEPOIS DO VIAGRA (Prestígio Editorial), narra, de forma bem-humorada, as batalhas travadas pela medicina em todo o mundo para solucionar o problema que atormentava a masculinidade. O livro é cheio de curiosidades e citações e intercala textos informativos com charges e crônicas de gente consagrada falando da mistura de sexo com o revolucionário medicamento.
Em O MITO VIAGRA (Prestígio Editorial), Abraham Morgentaler, urologista e professor da Harvard Medical, tira as dúvidas mais freqüentes e aponta as implicações sociais e emocionais nas relações amorosas e sexuais desde o surgimento do medicamento, não mais restrito ao tratamento da disfunção erétil. O especialista deixa claro que o Viagra funciona bem em algumas circunstâncias, mas não em outras, onde pode até dificultar. O Viagra pode melhorar a hora do sexo em um relacionamento conturbado, por exemplo, mas outros aspectos não se transformarão automaticamente com isso.
Resumindo: o comprimido não resolve problemas de relacionamento. Outra questão levantada por ele é o fato de a moçada fazer uso da pílula azul para levar alguma vantagem, quando, na verdade, acabam enganando a si mesmos. Isso sem contar as dúvidas do parceiro quando esse terceiro elemento passa a fazer parte do jogo: será que esse sentimento é verdadeiro ou é só Viagra?
Tão rápido quanto seu efeito, o Viagra saiu da boca do povo para entrar no imaginário coletivo e, com tanta cabeça pensando só naquilo, não demorou nada para que profissionais explicassem como ficaram a vida e os relacionamentos depois da descoberta. E o prazer foi mais longe, unindo-se ao da leitura: só para ter uma idéia, existem pelo menos dez livros ainda não lançados em Língua Portuguesa que trazem a palavra Viagra estampada no título, indo da literatura médica e terapêutica aos contos.
DIARY OF A VIAGRA FIEND (Pocket Books), de Jayson Gallaway, disponível no Brasil apenas em inglês, pode ser traduzido como "Diário de um Dependente de Viagra". Como fiend também pode significar algo satânico, já dá para imaginar as engraçadas confusões deste livro de humor em torno do sexo quando o próprio autor - de 29 anos, que se define viril e tem uma namorada de 19 - experimenta Viagra "para ver o que acontece", comendo-os como se fossem M&Ms. Já no primeiro capítulo, muitas risadas quando ele percebe os efeitos e começa a contar os minutos para sua estréia, sem chamar a atenção da namorada.
A jornalista Silvia Campolim, em O SEXO DEPOIS DO VIAGRA (Prestígio Editorial), narra, de forma bem-humorada, as batalhas travadas pela medicina em todo o mundo para solucionar o problema que atormentava a masculinidade. O livro é cheio de curiosidades e citações e intercala textos informativos com charges e crônicas de gente consagrada falando da mistura de sexo com o revolucionário medicamento.
Em O MITO VIAGRA (Prestígio Editorial), Abraham Morgentaler, urologista e professor da Harvard Medical, tira as dúvidas mais freqüentes e aponta as implicações sociais e emocionais nas relações amorosas e sexuais desde o surgimento do medicamento, não mais restrito ao tratamento da disfunção erétil. O especialista deixa claro que o Viagra funciona bem em algumas circunstâncias, mas não em outras, onde pode até dificultar. O Viagra pode melhorar a hora do sexo em um relacionamento conturbado, por exemplo, mas outros aspectos não se transformarão automaticamente com isso.
Resumindo: o comprimido não resolve problemas de relacionamento. Outra questão levantada por ele é o fato de a moçada fazer uso da pílula azul para levar alguma vantagem, quando, na verdade, acabam enganando a si mesmos. Isso sem contar as dúvidas do parceiro quando esse terceiro elemento passa a fazer parte do jogo: será que esse sentimento é verdadeiro ou é só Viagra?


