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Edição 2 > Saúde

Feliz com o seu...

Para quem acha que é só operar o pênis para aumentá-lo, um alerta: não é bem assim

Valmir Júnior

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Em nossa sociedade ocidental, o pênis carrega uma simbologia forte de poder - além de uma infinidade de apelidos, sinônimos e um valor muitas vezes superestimado. Quem tem um grande está mais do que satisfeito e quem sente falta de "um pouco a mais" pode ser isca de produtos milagrosos e tratamentos duvidosos. O que dizem os médicos? A Sociedade Brasileira de Urologia garante: o tamanho médio do nosso amigo ereto, entre 95% dos brasileiros, varia de 12 a 17 cm. Abaixo dessa média, há uma multidão de pessoas infelizes. "Muitos pacientes pensam que têm pênis pequeno. Em praticamente todos os casos, não é bem assim", explica o Dr. Celso Marzano, terapeuta sexual e urologista do instituto de urologia e sexualidade Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade (Cedes). Ele lembra que, dentro da média estabelecida, há os que estão na margem superior e outros na base. "A idéia é mostrar profissionalmente que o paciente tem um pênis normal e o que está atrapalhando é a cabeça dele."

Ok, mas e o que fazer quando o discurso não convence o dono do equipamento? Segundo Marzano, quase 100% de seus pacientes procuram cirurgias estéticas para aumento e alargamento do pênis. Entretanto, elas ainda são experimentais. "E não têm grandes ganhos em termos de aumento. Além de haver muitas restrições e efeitos colaterais", adverte o urologista. Os problemas advêm de produtos ou substâncias não-corporais. O risco de rejeição é alto, como no caso de inserção da gordura para preenchimento em que a absorção provoca nódulos e ondulações. Há outras soluções: implante de silicone líquido e enxertos de derme do próprio paciente, nem sempre com resultados satisfatórios. Indica-se os procedimentos de intervenção aos casos de micropênis congênito (com ereção de 2 cm a 5 cm), fratura, perda de parte do pênis por incidentes causados por traumas locais ou mordidas de animais, doença de Peyronie (uma placa fibrótica em forma de "calo") e câncer de pênis.

São fatores funcionais, em geral. "Mas também passa um pouco pela estética, porque vai melhorar a auto-estima do paciente", complementa Marzano. "A idéia é ser uma cirurgia corretiva e não plástica." E nem pense em recorrer a bombas de vácuo, massagens e aparelhos que prometem vitaminar o seu "júnior", pois podem comprometer a integridade de seu melhor amigo. "Pode haver complicações por danos às estruturas adjacentes, levando à impotência e à dessensibilização, ou ainda a maus resultados estéticos", afirma o terapeuta sexual do Cedes. Se o seu caso não se enquadra nos descritos acima, fique satisfeito com o que tem. Procure um terapeuta sexual para trabalhar sua auto-estima e se aceitar como é. Lembre-se: nada de testezinhos com o "bilau", porque ele é muito sensível... Tadinho!