Na noite, um drinque - e... Ricardo YamamotoNa noite, um drinque - e uma pausa - numa das mais frenéticas e fashion-modernosas capitais do mundo

 
 
Edição 4 > Viagem

As cores de Tóquio

Do preto dos góticos ao colorido do universo gay, há espaço para todas as tribos na contrastante capital japonesa

Ewerthon Tobace e Marcos Maekawa

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Cuidado! O japonês é hipermegametrossexual - muitíssimo mais do que David Beckham e Tom Cruise juntos. Ele usa roupas da moda, anda com bolsa a tiracolo, faz sobrancelha, freqüenta salão de beleza, usa presilha ou tiara na cabeça e tem, ao menos, uma peça cor-de-rosa no guarda-roupa. No entanto, isso não significa que ele seja gay. Gastar horrores com peças de grifes famosas e deixar os cabelos milimetricamente espetados ou arrumados para o lado faz parte do cotidiano do ser masculino nipônico.
Para os ocidentais, muitas dessas coisas podem soar estranhas ou "frutinhas" demais. Para os japoneses, porém, o que importa é ter estilo, nem que seja "feminino". Isso acontece, segundo sociólogos, por causa do espírito pacifista que impera na sociedade. É por isso também que vemos várias tribos distintas caminhando lado a lado pelas ruas da capital. Há espaço para todos. Sem contar que faz parte também da cultura japonesa não importunar terceiros. Então, se você resolver sair de pijama pela rua, ninguém vai dizer nada. Reparar, talvez.

Para completar esse cenário fashion-modernoso, nos últimos anos a indústria da beleza e da moda ganhou destaque no país, a ponto de estremecer a economia local quando há queda de vendas de cosméticos e de roupas. Uma pesquisa realizada pela Kao, segunda maior fabricante de produtos de beleza do arquipélago, divulgada no começo do ano, prova que os cortes de cabelo adotados pelos japoneses, por exemplo, são capazes de revelar muito mais do que as tendências da próxima estação. Se a economia vai mal, os cabelos são curtos. Quando a maré está boa, longas madeixas - que exigem mais cuidados e produtos especiais, claro. Então, por tudo isso, preste atenção na hora de flertar nas ruas. A educação oriental impede escândalos, porém, se o assanhadinho abusar...

Além disso, por mais liberal e gay friendly que pareça aos olhos dos ocidentais, o Japão ainda arrasta a pesada corrente da tradição. As coisas estão mudando aos poucos, e ainda é muito comum gays serem obrigados a se casar para manter a reputação da família e dar continuidade ao sobrenome dos ancestrais. Fugir dessa sina é ser considerado traidor, e pode causar vergonha aos familiares. Por isso, raramente os homens arriscam sair do armário. Pelo menos até a noite chegar.
Para ler a matéira na íntegra, compre a DOM que está nas bancas.